Marty Supreme
Nota: 8/10
Acompanho a carreira do diretor Josh Safdie há algum tempo e sempre me impressionou sua capacidade de imprimir uma energia caótica e quase sufocante em suas narrativas, vide o excelente trabalho em dupla com seu irmão em Joias Brutas e Bom Comportamento. Em Marty Supreme, seu primeiro longa de ficção solo em anos, ele canaliza essa mesma eletricidade urbana, mas de uma forma surpreendentemente estilizada e focada no circuito competitivo de um esporte bastante incomum para os cinemas.
O filme se passa na Nova York da década de 1950 e acompanha Marty Mauser, vivido por Timothée Chalamet. Marty trabalha como vendedor de sapatos na loja de seu tio, mas sua verdadeira obsessão é o tênis de mesa. Dono de uma determinação feroz e um talento inegável, o protagonista embarca em uma jornada obstinada para se tornar um campeão mundial, desafiando as convenções e a falta de prestígio que o esporte sofria na época. A narrativa, levemente inspirada na vida do icônico jogador Marty Reisman, mostra o jovem passando por altos e baixos brutais enquanto tenta provar seu valor para o mundo e para si mesmo.
O grande trunfo da produção está na condução de Josh Safdie, que transforma as partidas de pingue-pongue em verdadeiros duelos de alta tensão, auxiliado por uma fotografia soberba e uma trilha sonora hipnótica. A escolha do elenco também se provou um acerto tremendo. Timothée Chalamet entrega uma performance magnética, equilibrando perfeitamente a arrogância ingênua e a vulnerabilidade de seu personagem. Além disso, o retorno de Gwyneth Paltrow às telas como a sofisticada socialite Kay Stone adiciona uma camada deliciosa de cinismo e charme à trama.
Ainda que o roteiro por vezes pareça perder um pouco de fôlego no terço final ao tentar costurar todos os dramas pessoais de Marty, a obra se sustenta pelo seu estilo visual marcante e ritmo pulsante. Em resumo, Marty Supreme é uma cinebiografia esportiva fora dos padrões, que subverte o gênero com a ousadia típica de seu realizador e consolida o amadurecimento artístico de seu jovem protagonista. Uma experiência vibrante que prende a atenção do início ao fim.
Marty Supreme, 2025. Duração: 2h 30min. Classificação: 16 anos. Dirigido por Josh Safdie, com Timothée Chalamet, Gwyneth Paltrow, Odessa A'zion, Kevin O'Leary e Fran Drescher.

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