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Predador: Terras Selvagens

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Nota: 8/10 Acompanho a trajetória de Dan Trachtenberg com bastante entusiasmo, pois o considero um cineasta que entende perfeitamente como manipular a tensão. Em Rua Cloverfield, 10 (2016) , ele entregou um suspense crescente claustrofóbico que revitalizou aquela franquia, e em O Predador: A Caçada (2022) , provou que era possível retornar às raízes do universo do Predador com uma aventura robusta e visualmente deslumbrante. Em Predador: Terras Selvagens , Trachtenberg toma a decisão ousada de colocar o Predador como o verdadeiro protagonista da história. Acompanhamos Dek, um jovem Yautja considerado fraco por seu clã e exilado por seu próprio pai. Para provar seu valor, ele viaja até o "Planeta da Morte", Genna, com o objetivo de caçar o Kalisk, uma criatura lendária e quase indestrutível. O que torna a narrativa única é a aliança improvável que ele forma com Thia (Elle Fanning), uma androide danificada que o auxilia em sua jornada de sobrevivência e caçada. A atuação de Ell...

A Mão do Diabo

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Nota: 7,5 A estreia de Bill Paxton na direção é uma das joias mais subestimadas do suspense moderno. Em uma época em que o gênero muitas vezes dependia de grandes orçamentos ou sustos fáceis, este longa prova que uma narrativa bem amarrada e uma atmosfera densa são suficientes para prender o espectador. É uma obra visivelmente contida em recursos, mas que utiliza sua simplicidade técnica a favor de uma história crua e perturbadora. A trama se inicia quando um homem, interpretado por Matthew McConaughey, aparece em um escritório do FBI alegando saber a identidade de um procurado assassino em série. Através de seu relato, somos levados ao passado de uma família no Texas, onde um pai viúvo acredita ter recebido uma missão divina para destruir demônios que ele foi informado por revelação que estão disfarçados de pessoas. O grande trunfo do filme é como ele trabalha com a ambiguidade moral, deixando que o espectador preencha os vazios com sua própria interpretação sobre o que é real e o que...

Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria

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Nota: 7,5/10 Maternidade e saúde mental são temas que o cinema tem explorado com uma coragem crescente, fugindo da romantização excessiva para encarar o cansaço e o isolamento. Ao assistir a este longa, é inevitável traçar um paralelo com Tully , filme de 2018 que também mergulha no esgotamento materno. No entanto, enquanto Tully utiliza uma reviravolta narrativa para explicar o estado psicológico de sua protagonista, este projeto opta por um mergulho mais subjetivo e visceral na psique feminina, removendo qualquer filtro de conforto para o espectador. Produzido pela A24, produtora famosa por ser a casa de obras originais e criativas, a trama acompanha a jornada de uma mãe que, sufocada pelas demandas incessantes do cuidado e pela perda de sua identidade individual, começa a transitar em uma linha tênue entre a realidade e o colapso emocional. Rose Byrne, que recebeu uma merecida indicação ao Oscar por este papel, entrega uma performance magistral. Ela consegue transmitir, muitas veze...

Assassinos da Lua das Flores

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Nota: 9,5/10 Assassinos da Lua das Flores é a prova de que Martin Scorsese, já com mais de 80 anos, continua no auge de sua forma narrativa, entregando uma obra de arte cinematográfica que é épica em escala e devastadora em conteúdo. Adaptado do livro de não-ficção de David Grann, o filme mergulha na sombria história real da nação Osage, em Oklahoma, na década de 1920, que se tornou subitamente a população mais rica do mundo após a descoberta de vastas reservas de petróleo em suas terras. O que se segue não é uma história de prosperidade, mas sim de horror silencioso e calculado. A riqueza da Osage atrai predadores brancos, que se infiltram na comunidade por meio de casamentos e acordos, culminando em uma série sistemática de assassinatos brutais para herdar as fortunas. O filme é centrado na complexa e tóxica relação entre Ernest Burkhart (Leonardo DiCaprio), um homem ingênuo e ambicioso que retorna da guerra, e William "King" Hale (Robert De Niro), seu tio manipulador e a ...

Não Fale o Mal

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Nota: 7,5/10 A adaptação americana de Não Fale o Mal (baseada no filme dinamarquês de 2022) acerta ao manter a premissa central de terror psicológico e desconforto social, entregando uma experiência tensa e profundamente incômoda. Sob a direção e roteiro de James Watkins, o filme mostra a viagem de férias da família americana Dalton (Ben e Louise) que aceita o convite para passar um fim de semana na idílica casa de campo do casal britânico Paddy e Ciara, com quem fizeram amizade meses antes na Itália. O que começa como um encontro amigável rapidamente se deteriora à medida que os anfitriões britânicos demonstram comportamentos estranhos e cada vez mais invasivos. A beleza da adaptação reside em como ela capitaliza o medo de ser indelicado , um terror muito real enraizado na convenção social de ser educado, mesmo quando instintos gritam o contrário. O diretor Watkins (de Eden Lake ) soube como traduzir essa hesitação cultural para o cinema, transformando pequenas gafes e faltas de tato...

Alien: Romulus

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Nota: 8/10 Fede Álvarez, conhecido por revigorar franquias de horror como em A Morte do Demônio (2013), assume a direção e o roteiro de Alien: Romulus e acerta no que se propõe: entregar um filme que resgata a essência de terror espacial do original de 1979, Alien: O Oitavo Passageiro , ao mesmo tempo em que oferece um ritmo de ação incessante que remete a Aliens: O Resgate , de 1986. Ambientado entre os dois clássicos, Romulus segue um grupo de jovens colonizadores espaciais que se aventura nas profundezas de uma estação abandonada, esperando encontrar tecnologia que os ajude a escapar de seu planeta. O que encontram, no entanto, é a forma de vida mais aterrorizante do universo: o Xenomorfo. O grande trunfo do filme é a sua atmosfera sufocante. Álvarez cria uma sensação de isolamento e claustrofobia magistral, fazendo a estação desativada parecer um labirinto escuro e perigoso onde o silêncio é tão ameaçador quanto o grito. A tensão é construída de forma gradual, nos permitindo se...

Conclave

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Nota: 8,5/10 Após o impacto visceral de Nada de Novo no Front , o diretor Edward Berger troca as trincheiras enlameadas da Primeira Guerra Mundial pelos corredores silenciosos e opressores do Vaticano. O resultado é Conclave , um thriller psicológico e político de primeira linha, onde as batalhas são travadas em sussurros, alianças secretas e crises de fé. Baseado no romance de Robert Harris, o filme começa com a morte súbita do Papa. Os cardeais do mundo todo são convocados a Roma para o ritual sagrado e secreto que elegerá seu sucessor. O processo é supervisionado pelo Cardeal Lomeli (Ralph Fiennes), o Decano do Colégio Cardinalício, um homem cuja própria fé parece estar em crise. Longe de ser um retrato idealizado, o filme mergulha na política pura. Temos os principais candidatos: o americano liberal (John Lithgow), o conservador italiano (Stanley Tucci) e um candidato que representa a ala mais radical da igreja. No entanto, a chegada inesperada de um cardeal desconhecido, cuja exis...