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Relay: Contrato Perigoso

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Nota: 8/10 O cinema de suspense corporativo e espionagem ganha um fôlego novo quando foca na paranoia tecnológica e no isolamento humano. Em Relay: Contrato Perigoso, o diretor David Mackenzie constrói uma atmosfera tensa que remete aos grandes clássicos de conspiração dos anos 70, mas com uma roupagem totalmente voltada para a era da vigilância digital e dos segredos corporativos multimilionários. Na trama, acompanhamos Tom, um intermediário de alto risco especializado em mediar subornos e transferências de segredos industriais entre grandes corporações e denunciantes. Ele opera nas sombras, seguindo regras rígidas de segurança para manter seu anonimato absoluto. No entanto, sua rotina meticulosa sai dos eixos quando Sarah, uma potencial cliente em busca de proteção, entra em contato. A partir desse momento, as barreiras que Tom construiu para se proteger começam a ruir, transformando o jogo de gato e rato em algo muito mais pessoal e perigoso. O grande trunfo do filme reside na escol...

Marty Supreme

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  Nota: 8/10 Acompanho a carreira do diretor Josh Safdie há algum tempo e sempre me impressionou sua capacidade de imprimir uma energia caótica e quase sufocante em suas narrativas, vide o excelente trabalho em dupla com seu irmão em Joias Brutas e Bom Comportamento . Em Marty Supreme , seu primeiro longa de ficção solo em anos, ele canaliza essa mesma eletricidade urbana, mas de uma forma surpreendentemente estilizada e focada no circuito competitivo de um esporte bastante incomum para os cinemas. O filme se passa na Nova York da década de 1950 e acompanha Marty Mauser, vivido por Timothée Chalamet. Marty trabalha como vendedor de sapatos na loja de seu tio, mas sua verdadeira obsessão é o tênis de mesa. Dono de uma determinação feroz e um talento inegável, o protagonista embarca em uma jornada obstinada para se tornar um campeão mundial, desafiando as convenções e a falta de prestígio que o esporte sofria na época. A narrativa, levemente inspirada na vida do icônico jogador Mart...

Predador: Terras Selvagens

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Nota: 8/10 Acompanho a trajetória de Dan Trachtenberg com bastante entusiasmo, pois o considero um cineasta que entende perfeitamente como manipular a tensão. Em Rua Cloverfield, 10 (2016) , ele entregou um suspense crescente claustrofóbico que revitalizou aquela franquia, e em O Predador: A Caçada (2022) , provou que era possível retornar às raízes do universo do Predador com uma aventura robusta e visualmente deslumbrante. Em Predador: Terras Selvagens , Trachtenberg toma a decisão ousada de colocar o Predador como o verdadeiro protagonista da história. Acompanhamos Dek, um jovem Yautja considerado fraco por seu clã e exilado por seu próprio pai. Para provar seu valor, ele viaja até o "Planeta da Morte", Genna, com o objetivo de caçar o Kalisk, uma criatura lendária e quase indestrutível. O que torna a narrativa única é a aliança improvável que ele forma com Thia (Elle Fanning), uma androide danificada que o auxilia em sua jornada de sobrevivência e caçada. A atuação de Ell...

A Mão do Diabo

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Nota: 7,5 A estreia de Bill Paxton na direção é uma das joias mais subestimadas do suspense moderno. Em uma época em que o gênero muitas vezes dependia de grandes orçamentos ou sustos fáceis, este longa prova que uma narrativa bem amarrada e uma atmosfera densa são suficientes para prender o espectador. É uma obra visivelmente contida em recursos, mas que utiliza sua simplicidade técnica a favor de uma história crua e perturbadora. A trama se inicia quando um homem, interpretado por Matthew McConaughey, aparece em um escritório do FBI alegando saber a identidade de um procurado assassino em série. Através de seu relato, somos levados ao passado de uma família no Texas, onde um pai viúvo acredita ter recebido uma missão divina para destruir demônios que ele foi informado por revelação que estão disfarçados de pessoas. O grande trunfo do filme é como ele trabalha com a ambiguidade moral, deixando que o espectador preencha os vazios com sua própria interpretação sobre o que é real e o que...

Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria

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Nota: 7,5/10 Maternidade e saúde mental são temas que o cinema tem explorado com uma coragem crescente, fugindo da romantização excessiva para encarar o cansaço e o isolamento. Ao assistir a este longa, é inevitável traçar um paralelo com Tully , filme de 2018 que também mergulha no esgotamento materno. No entanto, enquanto Tully utiliza uma reviravolta narrativa para explicar o estado psicológico de sua protagonista, este projeto opta por um mergulho mais subjetivo e visceral na psique feminina, removendo qualquer filtro de conforto para o espectador. Produzido pela A24, produtora famosa por ser a casa de obras originais e criativas, a trama acompanha a jornada de uma mãe que, sufocada pelas demandas incessantes do cuidado e pela perda de sua identidade individual, começa a transitar em uma linha tênue entre a realidade e o colapso emocional. Rose Byrne, que recebeu uma merecida indicação ao Oscar por este papel, entrega uma performance magistral. Ela consegue transmitir, muitas veze...

Assassinos da Lua das Flores

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Nota: 9,5/10 Assassinos da Lua das Flores é a prova de que Martin Scorsese, já com mais de 80 anos, continua no auge de sua forma narrativa, entregando uma obra de arte cinematográfica que é épica em escala e devastadora em conteúdo. Adaptado do livro de não-ficção de David Grann, o filme mergulha na sombria história real da nação Osage, em Oklahoma, na década de 1920, que se tornou subitamente a população mais rica do mundo após a descoberta de vastas reservas de petróleo em suas terras. O que se segue não é uma história de prosperidade, mas sim de horror silencioso e calculado. A riqueza da Osage atrai predadores brancos, que se infiltram na comunidade por meio de casamentos e acordos, culminando em uma série sistemática de assassinatos brutais para herdar as fortunas. O filme é centrado na complexa e tóxica relação entre Ernest Burkhart (Leonardo DiCaprio), um homem ingênuo e ambicioso que retorna da guerra, e William "King" Hale (Robert De Niro), seu tio manipulador e a ...

Não Fale o Mal

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Nota: 7,5/10 A adaptação americana de Não Fale o Mal (baseada no filme dinamarquês de 2022) acerta ao manter a premissa central de terror psicológico e desconforto social, entregando uma experiência tensa e profundamente incômoda. Sob a direção e roteiro de James Watkins, o filme mostra a viagem de férias da família americana Dalton (Ben e Louise) que aceita o convite para passar um fim de semana na idílica casa de campo do casal britânico Paddy e Ciara, com quem fizeram amizade meses antes na Itália. O que começa como um encontro amigável rapidamente se deteriora à medida que os anfitriões britânicos demonstram comportamentos estranhos e cada vez mais invasivos. A beleza da adaptação reside em como ela capitaliza o medo de ser indelicado , um terror muito real enraizado na convenção social de ser educado, mesmo quando instintos gritam o contrário. O diretor Watkins (de Eden Lake ) soube como traduzir essa hesitação cultural para o cinema, transformando pequenas gafes e faltas de tato...